segunda-feira, 16 de março de 2026

PIQUENIQUE EXCOMUNGADO


Penalva já não tem castelo.
Mas ainda é terra de gente devota;
De fé, orgulhosa e cheia de zelo.
Povo beirão, digno de nota.
Ora ouçam co' atenção e fervor
A história que passo a contar:
Tarde de domingo, dia do Senhor,
Depois de muito palmilhar.
No adro da igreja local
Duas mesas de granito,
Local aprazível, ideal,
Pr'a festim de gabarito.
Refeição improvisada,
Pão e vinho, união.
Conversa muito animada,
Copo cheio na mão.
E eis que, de repente, vinda do nada,
Mandatada pl'o covarde prior,
Entra em cena beata indignada,
Fazendo-nos temer o pior.
Cruzada com clara missão:
Os comilões do templo expulsar!
Que aquele adro -
Local de culto, chão sagrado -
Não é lugar,
De humana comunhão!
"Vade retro, pecadores! Fora do templo!"
Clama a beata, transida de horror.
"Que o vosso repasto é mau exemplo,
Ofensa grave a nosso Senhor!"
E assim fomos, barriga cheia, alma lavada,
Corridos do adro... pela guarda avançada!

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PIQUENIQUE EXCOMUNGADO

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