quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Liebe Ist Für Alle Da

Da Babel de idiomas do Velho Continente, o alemão é aquele que me causa maior fascínio.
Não tem a musicalidade do italiano, nem o romantismo d
o Francês; não é snobe língua de Lords, nem clama por sangue nas arenas taurinas da Hispânia. Muito menos participou de qualquer grandiosa epopeia ultramarina (excepção feita à Namíbia, única e tardia possessão germânica em terras africanas). Ainda assim, é a língua mais falada no seio da União Europeia e serviu de veículo às ideias de ilustres nos mais variados campos da cultura e do pensamento; desde músicos a escritores de renome, passando por filósofos e cientistas. Numa tónica negativa, recordará o leitor, serviu também esta língua os intentos maléficos do 3º Reich e lembrar-se-á, de imediato, que, através da boca do seu mais pérfido falante, o alemão conheceu a sua fase mais obscura na primeira metade do século passado.

Para espanto de quem teve pachorra de seguir estas linhas até aqui, vem tudo isto a propósito do novo álbum dos Rammstein cujo tema-título serve também de mote a esta entrada. Convém, nesta altura, desvelar um pouco os gostos musicais de Demóstenes: nascido ao som do rock n'roll da década de 70, teve, desde tenra idade, formação musical clássica tendo-se aventurado, a espaços, pelas tortuosas veredas de sacar grunhidos à dentadura branca e preta das oitavas do piano. Hoje em dia, ouve de tudo um pouco: música erudita (do período clássico e não só), os vários géneros e subgéneros de rock, alguma electrónica, o pouco que ainda há de bom na música popular portuguesa, música étnica (que alguns chamam sons do mundo) e uma paleta de outros timbres, num ecletismo digno de homem da Renascença.

Sustento a opinião de que, sob uma análise meramente fonética, as línguas (idiomas, claro está), têm género sendo que, as mais guturais, devem ser masculinas e as predominantemente sibilantes, femininas. Nesta linha de raciocínio, o alemão é claramente uma língua macho, agressiva para o aparelho fonador como a este género convém.

Curioso e hilariante talvez, é o esforço do vocalista em cantar temas em língua inglesa (marketing oblige), idioma para o qual o seu aparelho fonador nota-se não estar devidamente treinado.

14 comentários:

heretico disse...

"Babilónia de idiomas"?!...
não pretenderás tu, Demóstenes, dizer "Babel de idiomas"?!... lol

abraço

Eva Gonçalves disse...

O Alemão, mais do que um fascínio, sempre foi para mim um mistério... mistério como poderia haver alguém na face da Terra que gostasse de semelhante idioma! :)
Devo dizer que assim como o eclético autor deste blogue, também eu tenho gostos diversificados... mas isto realmente, isn't my cup of tea!Pensei que o subtítulo do blogue fosse meramente retórico... mas começo a ter dúvidas...

maria teresa disse...

Meu caro Demóstenes este seu texto tem algumas incongruências: rock and roll nos anos setenta, aprender piano na mesma década, só falta dizer que também andou a aprender francês e com uma mademoiselle au pair...
Por favor...

Demóstenes disse...


Herético,

LOL mesmo!!!

Desta vez foi você a dar com a gralha; e que grande pássaro este!!!

Obrigado!!!

Sairaf disse...

Caro Demóstenes,
nunca pensei que os seus gostos fossem tão pesados e explícitos!
Realmente Rammstein em inglês é para esquecer.

Sincero abraço
Sairaf

fd disse...

Caríssimo, acho interessante a forma como te referes ao Demóstenes, como se, exagerando, sofresses de distúrbio de múltipla personalidade, qual Dr. Jekyll / Mr. Hyde ou Cavaco Silva / Presidente da República, ao levantares a máscara que assumes explicitamente.

Sobre o Alemão, penso que é curioso, e reforça a classificação de língua "macho", ter uma palavra tão comprida e impronunciável para “desculpa” (Entschuldigung). Daí ser pouco utilizada. Já “por favor” (Bitte) e “obrigado” (Danke) são mais fácil de dizer e mais frequentemente ouvidos…

Bom texto. Pelas pistas que vais deixando, associo-te à profissão de professor. A música e o mote são… intensos, como o que sempre encontro por aqui.

Demóstenes disse...


Maria Teresa,

e não somos todos? (incongruentes)

Demóstenes disse...


Eva Gonçalves,

espero que a Ária de Bach seja mais do seu agrado.

Demóstenes disse...


Herético,

ADENDA: o Demóstenes gaguejou!!!

Demóstenes disse...


Sairaf,

Ouço de tudo: desde metal industrial até ao bizarro dodecafonismo.

Demóstenes disse...


FD,

professor!? nein und abermals nein!!!

Anónimo disse...

Na minha modesta opinião acho que escreves conforme o teu estado de espírito, conforme o que te vai na alma... Acho perfeitamente normal mas como fugiste da tua habitual forma de escrita baralhaste os que te seguem no Blog.

Du ist eine geisteskranke Person!!!

rsrsrsrsrs

IsaB

Baby disse...

Demóstenes, foi um prazer receber a tua visita e ler o teu apreciado comentário. Também achei a foto ideal para o post, foi amor à primeira vista...

Falando do alemão, idioma, embora seja praticamente uma ignorante na matéria, admiro a sua sonoridade áspera, gutural e até gostaria de a falar fluentemente, (ele há gente para tudo,)mas como não falo, contento-me em ouvir oa que a falam com uma pontinha de prazer...
Bjs.

maria teresa disse...

Caro Demóstenes nem todos são incongruentes, estás a generalizar num universo que não é o teu...