quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

*AURORA*


Da minha janela testemunho mais um dia a romper.
O recorte das árvores e casas, quais fantasmas,
A desenharem-se gradualmente na bruma do amanhecer.
Ao redor, o negrume ainda pesa, frio e profundo,
Enquanto a luz, a medo, vem despertar o mundo.
Ao longe, um galo tímido, cacarejando anuncia,
Quebrando o silêncio, o começo de um novo dia.
Nos primeiros feixes de luz a promessa renovada,
E toda a bicharada em coro grita: alvorada!!!
Agora, os primeiros sinais de frenesim humano:
A ronda diária do padeiro a distribuir o pão,
Repete-se dia após dia, incansável, ao longo do ano.
Além, os homens do lixo empoleirados no seu camião,
Prestam, invisíveis e discretos, um serviço fundamental.
(Não fora assim, afogar-nos-íamos na própria matéria fecal!)
E na contemplação desta engrenagem, esboço um esgar…
Sonolento, jazendo ainda no conforto do meu leito,
Oh, reles condição humana: estou à rasca pr'a mijar!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

 O discurso de ódio - radical, fundamentalista, disparado em todas as direcções contra tudo e todos - está, a meu ver, a autofagiar-se paulatinamente. Vive do próprio medo que inculca e grassa no terreno fértil da ignorância mas, no limite, acabará por morder a mão daqueles que o alimentam. É que, na linha de Rosseau, quero acreditar que as pessoas são intrinsecamente boas.

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

UMA ESPÉCIE DE ODE

A nós, os que sentimos de mais!
Que nos entregamos sem reservas,
(Oh, maldita Afrodite e suas servas!)
Atropelando convenções e sinais...

Não há longe, nem distância, 
ou qualquer outra circunstância,
que impeça o amor de dois mortais!

Enovelados, dois corpos feitos um só,
Jazem sobre o leito em êxtase carnal.
Uma massa informe, vinho, pele, suor...
Lá fora, indiferente, o mundo real.

Porém, eis-me agora aqui no castelo altaneiro da minha solidão!
Reduto último da minha insignificância.

PROMETHEUS

The darker it grows, the clearer one sees. Up! Up, towards the light! From the well's bottom, one must rise, When there's nothing le...