Da minha janela testemunho mais um dia a romper.
O recorte das árvores e casas, quais fantasmas,
A desenharem-se gradualmente na bruma do amanhecer.
Ao redor, o negrume ainda pesa, frio e profundo,
Enquanto a luz, a medo, vem despertar o mundo.
Ao longe, um galo tímido, cacarejando anuncia,
Quebrando o silêncio, o começo de um novo dia.
Nos primeiros feixes de luz a promessa renovada,
E toda a bicharada em coro grita: alvorada!!!
Agora, os primeiros sinais de frenesim humano:
A ronda diária do padeiro a distribuir o pão,
Repete-se dia após dia, incansável, ao longo do ano.
Além, os homens do lixo empoleirados no seu camião,
Prestam, invisíveis e discretos, um serviço fundamental.
(Não fora assim, afogar-nos-íamos na própria matéria fecal!)
E na contemplação desta engrenagem, esboço um esgar…
Sonolento, jazendo ainda no conforto do meu leito,
Oh, reles condição humana: estou à rasca pr'a mijar!